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terça-feira, 4 de maio de 2010

Vida do Caralho

O

Era uma vez um caralho. Como todos os caralhos, tinha sonhos e ambições; sonhava em se divertir e ser feliz. Sabia que a felicidade impunha lágrimas, saltar de cabeça mas, antes disso, teve que se preparar bem pois, não era qualquer porta que se abria ao crescimento da sua vontade. Tinha a ambição de dar felicidade e prazer às demais que se atravessassem no seu caminho. Para isso ia-se aconselhando com cinco amigos, que lhe foram dando apoio nas suas duvidas de orientação e o consolavam naqueles dias em que tentava entrar nalgum lado que lhe era vedado. Privava muito com eles e chorava de felicidade com eles. Estes sempre solidários, acariciavam-no e enxugavam-lhe as lágrimas oferendo-lhe sempre um lenço amigo.

O Caralho foi crescendo e, naturalmente, foi querendo abrir horizontes e conhecimentos noutras paragens. Tentava travar conhecimentos com a diferença do seu ser, conheceu umas conas e, aprendeu que todos temos diferenças. Havia outros caralhos que queriam travar conhecimento com ele mas, de caralho para caralho não sentia o mesmo entendimento que com as conas. Não sabia bem porquê, talvez porque outros caralhos e conas mais velhos lhe tenham dito que há sempre uma cona para um caralho e não, um caralhos para um caralho. Ele tinha amigos caralhos e conas que se davam bem entre o seu género mas, consigo, preferia a diferença.

Como todo o caralho jovem, comia tudo. As suas hormonas assim exigiam, às vezes até exageravam. Houve momentos da sua vida em que não podia ouvir uma cona falar que se punha logo com vontade de se meter na conversa. Claro, dava-se mal e, lá ia ter com os cinco amigos que em conjunto, o consolavam e substituíam a cona visada na conversa que ele queria travar.

Foi-se divertindo e dar diversão até que uma cona lhe falou mais alto e o levou à razão da sua vida. Isto de andar a conhecer conas e falar-lhes ao ouvido era cada vez mais difícil pois, elas iam arranjando outros caralhos que lhes falavam de tal maneira que decidiam não lhe dar mais atenção. Outras diziam-lhe que se queria continuar a entrar, teria de ser só com ela. Egoístas, pensava o caralho - então não era melhor dar felicidade e compreensão a muitas que só a uma, todos viveríamos melhor. Bem, mas como diz o ditado: "na terra do bom viver, faz o que vês fazer", se todos os caralhos se deixam apanhar por uma só cona, quem é este caralho para não lhe acontecer o mesmo? Sim, pensava ele, há muitos caralhos sem cona ou várias mas os que não têm passam a vida na ramboía com os cinco amigos, os que têm várias vão cada dia tendo menos até que chegam àquele que não têm nenhuma.

A partir daqui zuca, já está! Quem vence é sempre a cona. O caralho chegou à conclusão que a sua vida ficou controlada pela cona. Por vezes o caralho queria dar umas voltas, mas o raio da cona andava sempre no controle das suas relações pubicas. Se se chegava pubicamente a outra, tinha problemas de tensão baixa. E até parece que a cona adivinhava, sempre que a tensão baixava era quando ela se lembrava de a medir. Irra, pensava o caralho, isto é complicado, é difícil de agradar a gregas e troianas!

A vida do caralho foi andando conforme a vontade da cona, por vezes com reclamações desta quanto à tensão daquele com brigas do caralho que a cona não perdoa quando é contrariada. Foram vivendo a sua vida, cada vez mais experiente e qualitativamente melhor. Deixaram de se preocupar com as visitas em numero para apreciarem melhor em género. Claro que o caralho, com sua mania de altivez, tinha dias de andar cabisbaixo com vontade de desistir. Mas, como à frente de um bom caralho há sempre uma boa cona, esta com o seu poder ressuscitador e com todos os seus sentidos apurados vai dando, com paciência, alento ao caralho. Este com a sensibilidade aprendida da sua cona, vai sendo cada vez mais carinhoso, compreensivo e adulto.

O caralho até ao fim da sua vida nunca deixou de trabalhar, menos sim, mas sempre com mais qualidade, coisa que a cona apreciava. A cona deste caralho, considerava-se preenchida na sua vida, tinha um companheiro que aprendeu a cuidar de si. De quando em vez ela lamentava-se com a "injustiça" da vida quando se lembrava do auge da sua, mas logo caia na realidade e dizia que não queria voltar atrás, o lume brando de agora era mais consistente em oposição à fogueira de papel de outrora. Os cinco amigos do caralho acompanharam-no até ao limite das suas forças, apoiando-o sempre em alturas mais complicadas, dando-lhe sempre força, tal como no princípio, quando queria entrar nalguma porta que lhe era vedada.

Depois de uma vida cheia e agitada de vitórias e derrotas, o caralho morreu. Morreu, não em pé como as árvores, sim como bandeira hasteada em dia de sem vento mas, com a certeza de missão cumprida; ter tido e dado alento à vida!

4 comentários:

Miss Libido disse...

Hmmmm, sou suspeita para comentar - porque entendo que o sexo está sobrevalorizado - perdoem-me...
No entanto, a alegoria está bem conseguida, sem dúvida - e é praticamente impossível não nos revermos na moral do conto - eheheheh
Beijinho, Felídeo - e continua a escrever com sentimento! ****

Felídeo disse...

Miss Libido, como eu gosto de te lêr!

Já somos dois quanto à sobrevalorização do sexo.

Demorei este tempo todo para te comentar
por "culpa" da sobrevalorização. Não sabia se coincidência, se leste bem as minhas entrelinhas. E o interessante é que leste bem e atreveria-me a dizer, por causa das 2 únicas palavras que "ferem", caso contrário dirias, só, que era um texto banal da nossa vida banal.

Já agora, há palavras intragáveis ao ouvido e deliciosas à mente assim como, há lindas mensagens sem sentimento!

Gostei da tua reacção amargo/doce, reagiste às minhas expectativas.

Beijo

Deb. disse...

Felídeo

Adorei! :-)

Então quem vence é sempre a cona... bom saber... heheh

Beijinhos,
Deb.

Felídeo disse...

Sabe Deb., a cona é dotada de um mistério que nos dá volta à cabecinha... lol

Beijinho também para si

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Sociais embora solitários, meigos e não piegas e, agressivos quando ameaçados. É este equilibrio que me fascina nos felídeos. Zoológicamente são a minha identificação. Considero os afectos humanos muito intrinsecados com a escolha do animal preferido...

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